Medida que incentiva o uso de sacolas retornáveis não conta com a adesão da população


Muitas sacolas plásticas são usadas para acondicionar as compras num supermercado em Botafogo (Foto: Carlos Ivan / Agência O Globo)RIO - Às vésperas de completar um ano, a lei que estabelece benefícios para o consumidor que dispensar as sacolas plásticas nas compras entrou no rol daquelas que não pegaram no Estado do Rio. A lei 5.502/2009 - que estipula desconto de R$ 0,03 a cada cinco mercadorias carregadas de qualquer outra forma que não em sacolas plásticas, como bolsas de pano e caixas de papelão - fará aniversário no próximo dia 15 esquecida pela população. Numa ronda por supermercados da Zona Sul e no Centro do Rio feita na segunda-feira, O GLOBO constatou que, em média, apenas 10% dos consumidores usam bolsas retornáveis.
De acordo com a Associação dos Supermercados do Rio de Janeiro (Asserj), são usados e descartados por mês, no estado, cerca de 200 milhões de sacos plásticos. Um dado que não merece qualquer comemoração: muitos ajudam a entupir redes de água e esgoto, ou colocam em risco a fauna de rios e lagoas.
Um dos principais motivos que justificariam a pequena adesão dos moradores do Rio à lei é o papel de destaque das sacolas plásticas no acondicionamento do lixo doméstico. O baixo valor do desconto previsto na lei também seria um fator de desestímulo, avaliam consumidores e varejistas. Curiosamente, apesar dos poucos avanços, os mercados não deixam a desejar no quesito divulgação: todos os quatro estabelecimentos visitados pelo GLOBO exibiam placas contendo o texto da lei.
Para o vice-presidente do conselho diretor da Asserj, Genival Beserra, uma solução seria a edição de uma nova lei, que determinasse a cobrança pelo uso das sacolas plásticas.
- Na Europa e nos Estados Unidos, a lei é um sucesso, porque cobra o uso, dói no bolso do consumidor. - diz ele. - Três centavos de desconto são um valor irrisório. A conscientização do consumidor é a responsável por uma redução na saída de sacolas plásticas de até 15% nos últimos anos no Rio. Não a lei.
Diante dos tímidos avanços, há quem aponte que faltam campanhas de conscientização. Subgerente de um mercado em Laranjeiras, Geílson de Souza acredita que, passada a empolgação inicial, a população não se lembra mais da lei.
- Por dia, saem oito mil sacolas plásticas somente na minha filial. E o número não tem diminuído nos últimos anos. Falta mais divulgação da lei. Ninguém se lembra dela - afirma Souza. - Como os sacos de lixo são muito caros, a sacolinha gratuita continua tendo forte apelo.
Kadja usa sacolas retornáveis: 'Mudei os hábitos' (Foto: Carlos Ivan / Agência O Globo)Opinião semelhante tem a fonoaudióloga Ana Maria Thomaz, adepta das sacolinhas:
- A lei é totalmente inócua. As sacolas são necessárias para receber o lixo do dia a dia. Na Europa, o material é biodegradável.
O autor da lei, atual secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, acredita ser cedo para afirmar que a lei não pegou. Mas admite que a ausência de campanhas maciças provoca resultados frustrantes.
- É importante ressaltar que a lei não proíbe nada, apenas incentiva a usar menos. No ano passado, os mercados reduziram em 25% a saída de sacolas plásticas. É uma economia de 500 milhões de toneladas por ano. Três centavos é pouco? É. Mas trata-se do valor da sacolinha. Se fosse mais, o mercado ia repassar o prejuízo ao consumidor - justifica Minc.
Embora considere que cobrar pelas sacolas seria uma medida impopular, Minc não descarta a possibilidade de discutir a questão no futuro.
- Vamos analisar qual seria a repercussão disso. O problema é que as sacolas biodegradáveis também poluem. Temos que avançar. Vamos fazer blitzes em mercados para ver se estão cumprindo (a lei). Sem campanhas de conscientização, a situação não se resolve.
Exceção num mar de desinformação e desinteresse, a advogada Kadja Brandão depositava as compras em "ecobags" num supermercado de Botafogo na tarde de ontem.
- Mudei os hábitos desde que os supermercados começaram a vender sacolas ecológicas. Sei que sou um caso à parte. Mas não concordo com a lei: o desconto é risível.
A culpa não é da sacola plástica. É do seu descarte inadequado. E o fato de o plástico durar 200 anos é positivo, pois não libera carbono, gás do efeito estufa. Proibir as sacolas é um despropósito. A lei acerta ao tentar restringir, e não proibir
Municípios e estados brasileiros estão adotando leis bastante restritivas. É o caso de Belo Horizonte, por exemplo, onde foi editada a lei 9.529/2008, que entrou em vigor em abril passado e proíbe o uso de sacolas plásticas feitas de derivados do petróleo.
Para o chefe da Diretoria Técnica e Industrial da Comlurb, José Henrique Penido, o cerne da questão é o incentivo à reciclagem do plástico. Ele elogia o viés restritivo, e não proibitivo, da lei fluminense.
- A culpa não é da sacola plástica. É do seu descarte inadequado. O saco, em aterros sanitários, não causa nenhum problema. Na usina do Caju, inclusive, temos demanda muito grande de sacolas para reciclagem. E o fato de o plástico durar 200 anos é positivo, pois não libera carbono, gás do efeito estufa. Proibir as sacolas é um despropósito. A lei acerta ao tentar restringir, e não proibir.
Fonte:oglobo.com
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RENASCER EM NOTÍCIA

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AGUINALDO SILVA - Radialista Profissional - 2.913 DRT-PB, 46 anos, servidor publico, natural de Mulungú-PB, radicado em Cabedelo-PB desde 1988, divorciado, pai de um casal de filho, produtor e ativista cultural, socialista por convicção, militante social, cultural e político em Cabedelo,  blogueiro, escreve no site www.cabedelonarede.com.br e no blog www.renasceremnoticia.blogspot.com
Ama os seres humanos e detesta a desigualdade social. "Se voce é capáz de se indignar com o sofrimento de seu semelhante, somos amigos" Frase de Che Guevara que tem como moldura em sua vida.
Atualmente trabalha na Casa da Cidadania de Cabedelo e busca ativar o movimento cultural do Renascer e interligar em rede, o terceiro setor de Cabedelo.
 
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