Sob forte comoção, dois militares mortos no Haiti são enterrados em São Vicente

Enterros de Ari Dirceu Júnior e Kleber Santos mobilizaram cidade.
Militares fizeram homenagens às vítimas do terremoto.
Luciana Bonadio Do G1, em São Vicente
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Militares prestam homenagem ao soldado Kleber da Silva Santos, morto no Haiti. (Foto: Luciana Bonadio/G1)

Os dois militares do 2º Batalhão de Infantaria Leve do Exército, mortos no dia 12 de janeiro no terremoto do Haiti, foram sepultados na tarde desta sexta-feira (22) em São Vicente, a 65 km da capital paulista. Militares de batalhão, familiares e amigos choraram muito durante a cerimônia fúnebre do cabo Ari Dirceu Fernandes Júnior e do soldado Kléber da Silva Santos. Antes do sepultamento, houve salvas de tiros e marcha fúnebre.



O corpo do cabo foi velado na Catedral de Santos e trazido em cortejo para o Cemitério Metropolitano do outro município. Cerca de 300 participaram do ato. O velório do soldado aconteceu em um salão no bairro onde ele vivia, também em São Vicente. Segundo a PM, 500 pessoas estiveram presentes. Os dois caixões chegaram ao cemitério em um carro blindado e foram recebidos com salvas de tiros executadas por quatro soldados e marcha fúnebre. Cerca de 20 músicos do batalhão participaram da homenagem.

O sepultamento do cabo aconteceu por volta das 12h30. O do soldado ocorreu por volta das 14h15. Muito emocionados, militares do batalhão choravam abraçados uns aos outros. “O batalhão se encontra carregado de uma carga emocional muito grande. São militares que passaram por treinamento juntos, então é difícil separar o profissional do pessoal”, afirmou o tenente-coronel Sérgio Jurandir Souto Campanaro, comandante do batalhão.

Para o tenente-coronel, os dois mortos em missão de paz são “exemplos”. “Eles são exemplos que dão estímulo para os que permanecem cumprindo a missão”, diz o comandante. Os dois foram promovidos para o posto de 3º sargento. “Todo o militar que falece em serviço é promovido. É uma forma de tentar minimizar a dor da família.”

O coronel Júlio César Costa e Silva, da 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea do Guarujá disse que os dois são “heróis”. “Só tenho a dizer que esses homens são heróis, mas o Exército é assim, temos que estar preparados para isso. Todos nós, quando vamos a uma operação, sabemos do risco que corremos”, afirmou. Ele afirmou que as famílias estão recebendo assistência tanto do governo federal quanto dos quartéis.

Tristeza das famílias
Os irmãos e a noiva do cabo Ari Dirceu Fernandes Júnior afirmaram que a vítima foi um herói. Os três conversaram com a imprensa depois do sepultamento do militar. “Ele fez o serviço dele, é um herói para nossa família, para São Vicente e para o país”, afirmou Gustavo Fernandes, de 21 anos, um dos irmãos do cabo.
Três dos irmãos de Ari vieram de Barcelona, na Espanha, onde moram, para a despedida do militar. “Ele era tudo com tão pouca idade. Um exemplo de um herói. Meu irmão era amigo, companheiro, responsável”, disse Daniel Fernandes, de 28 anos, outro irmão da vítima.

Soldado Kleber da Silva Santos é enterrado no litoral. (Foto: Luciana Bonadio/G1)

A noiva do militar, a estagiária Vanessa Aubin, de 22 anos, contou a última conversa que teve com o cabo, no dia 11 de janeiro, um dia antes do terremoto que causou sua morte. “Ele estava um pouco doente porque o dente siso começou a crescer. A gente conversou um pouco e ele disse que queria descansar, depois falou que me amava”, afirmou. Segundo a noiva, os dois contavam os dias para o retorno do militar desde que ele foi enviado para a missão no Haiti.

Namorados havia 3 anos, ela conta que os dois pensavam em morar juntos em breve e que esperavam o retorno para conversarem sobre o assunto. “Ele amava muito a vida, era muito feliz no que fazia, amava o Brasil. Ele vivia cada segundo com muita intensidade, viajou muito, curtiu muito a vida dele”. O cabo tinha uma filha de três anos de um relacionamento com outra mulher.
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RENASCER EM NOTÍCIA

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AGUINALDO SILVA - Radialista Profissional - 2.913 DRT-PB, 46 anos, servidor publico, natural de Mulungú-PB, radicado em Cabedelo-PB desde 1988, divorciado, pai de um casal de filho, produtor e ativista cultural, socialista por convicção, militante social, cultural e político em Cabedelo,  blogueiro, escreve no site www.cabedelonarede.com.br e no blog www.renasceremnoticia.blogspot.com
Ama os seres humanos e detesta a desigualdade social. "Se voce é capáz de se indignar com o sofrimento de seu semelhante, somos amigos" Frase de Che Guevara que tem como moldura em sua vida.
Atualmente trabalha na Casa da Cidadania de Cabedelo e busca ativar o movimento cultural do Renascer e interligar em rede, o terceiro setor de Cabedelo.
 
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